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minimalismo.

23:35

minimalismo.

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Fonte: Pinterest

Ao som de: Inception - Time (Piano Version) — Patrik Pietschmann

Temos que ser pequenos. Justo agora que nos ensinaram que precisamos ser maiores que as adversidades, que os problemas, que as dores, que tudo aquilo que nos afeta de maneira pouco positiva? Sim, exatamente agora. E não é que ser pequeno nos faça tender a dar atenção para os acontecimentos incômodos que sopram pelos nossos caminhos: é justamente o contrário.

A gente precisa é, de verdade, de espaço para ir crescendo aos poucos. Por ora, ser pequeno está de bom tamanho: serve para que paremos para avaliar, que façamos a limpa necessária em tudo aquilo que guardamos e liberemos espaço para que as positividades que nos aguardam em fila na porta esperando para adentrar nosso espaço.

A gente precisa esvaziar, quase sempre. Não é que o espaço seja limitado — ao menos não se for para o bem, para o amor, para o encantamento. Mas cada um desses sentimentos se expande dentro de nós de uma forma que nem a grandeza mais específica consegue medir: eles ultrapassam os limites da classificação, da explicação, da nomenclatura. E quem garantiu a nós que são grandes?

Podem ser pequenos. Podem ser a semente que se faz raiz em outros tão pequenos quanto nós. Podem ser os elementos que nos conectam e nos tornam enormemente pequenos numa corrente que a gente já não consegue ver o tamanho de tão grandiosa que é. Não precisamos ser grandes de imediato: precisamos entender que somos, em nós, aquilo que também as amorosidades alheias dedicaram seu pingo de tempo para nos ensinar a ser. Somos as lições, os olhares, os sonhos, os abraços, os amores que colhemos.

“Somos tão pouco perante o horizonte que olhamos”. Pouco? Pouco, não. Somos só pequenos. Medimos o tamanho do que aprendemos, do que semeamos e do que pusemos nossas mãos na terra fértil para fazer nascer. E não temos poucos sonhos, nem pouco amor, talvez nem mesmo poucas realizações: só somos pequenos para caber.

Somos pequenos para olhar no olhar do outro, para caber dentro de um abraço, para viver o passo a passo de alcançar um sonho que tenhamos. Somos pequenos para entender de perto que as menores palavras significam tudo e tanto, que o amor nasce das menores probabilidades, que brota ao nosso menor perceber, que a gente precisa cada vez mais do próximo, do perto, do que te torna expansível de verdade.

A gente precisa ser pequeno para pertencer. Para entender que vai aprender constantemente. E amar, e chorar, e rir — e partilhar e crescer. É como aquele quebra-cabeças que talvez demorássemos semanas para montar: quanto mais peças, menores elas são. Assim somos: quanto mais de sentimentos positivos acumulamos, menos espaço ocupamos.

Por quê? Porque o sentimento verdadeiro precisa ser doado, concedido, partilhado. Porque o amor é a divisão inevitável, é a partilha de tudo o que temos em tudo aquilo que queremos ter. A felicidade é a conquista menos percebida, mas mais vivida pelo comum, pelo que nós somos ao outro e pelo que o outro nos representa.

Entende e sê pequeno o quanto possa: compacta. Guarda só aquilo que te faça ir além dos limites físicos, de planejar o inalcançável e o mais longe: todo o bem que se quer está por perto, esperando que assumamos, finalmente, que a pequenez de um ser é toda a grandeza válida: tudo aquilo que se é e que o mundo enxerga às lentes de aumento — pequenez é a raridade, é o que nos torna enormemente visíveis só pelo que carregamos no coração.

Larissa Mariano
Fonte:  Pinterest Ao som de:  Inception - Time (Piano Version) — Patrik Pietschmann Temos que ser pequenos. Justo agora que nos ensin...