terça-feira, 18 de abril de 2017

minimalismo.

Fonte: Pinterest

Ao som de: Inception - Time (Piano Version) — Patrik Pietschmann

Temos que ser pequenos. Justo agora que nos ensinaram que precisamos ser maiores que as adversidades, que os problemas, que as dores, que tudo aquilo que nos afeta de maneira pouco positiva? Sim, exatamente agora. E não é que ser pequeno nos faça tender a dar atenção para os acontecimentos incômodos que sopram pelos nossos caminhos: é justamente o contrário.

A gente precisa é, de verdade, de espaço para ir crescendo aos poucos. Por ora, ser pequeno está de bom tamanho: serve para que paremos para avaliar, que façamos a limpa necessária em tudo aquilo que guardamos e liberemos espaço para que as positividades que nos aguardam em fila na porta esperando para adentrar nosso espaço.

A gente precisa esvaziar, quase sempre. Não é que o espaço seja limitado — ao menos não se for para o bem, para o amor, para o encantamento. Mas cada um desses sentimentos se expande dentro de nós de uma forma que nem a grandeza mais específica consegue medir: eles ultrapassam os limites da classificação, da explicação, da nomenclatura. E quem garantiu a nós que são grandes?

Podem ser pequenos. Podem ser a semente que se faz raiz em outros tão pequenos quanto nós. Podem ser os elementos que nos conectam e nos tornam enormemente pequenos numa corrente que a gente já não consegue ver o tamanho de tão grandiosa que é. Não precisamos ser grandes de imediato: precisamos entender que somos, em nós, aquilo que também as amorosidades alheias dedicaram seu pingo de tempo para nos ensinar a ser. Somos as lições, os olhares, os sonhos, os abraços, os amores que colhemos.

“Somos tão pouco perante o horizonte que olhamos”. Pouco? Pouco, não. Somos só pequenos. Medimos o tamanho do que aprendemos, do que semeamos e do que pusemos nossas mãos na terra fértil para fazer nascer. E não temos poucos sonhos, nem pouco amor, talvez nem mesmo poucas realizações: só somos pequenos para caber.

Somos pequenos para olhar no olhar do outro, para caber dentro de um abraço, para viver o passo a passo de alcançar um sonho que tenhamos. Somos pequenos para entender de perto que as menores palavras significam tudo e tanto, que o amor nasce das menores probabilidades, que brota ao nosso menor perceber, que a gente precisa cada vez mais do próximo, do perto, do que te torna expansível de verdade.

A gente precisa ser pequeno para pertencer. Para entender que vai aprender constantemente. E amar, e chorar, e rir — e partilhar e crescer. É como aquele quebra-cabeças que talvez demorássemos semanas para montar: quanto mais peças, menores elas são. Assim somos: quanto mais de sentimentos positivos acumulamos, menos espaço ocupamos.

Por quê? Porque o sentimento verdadeiro precisa ser doado, concedido, partilhado. Porque o amor é a divisão inevitável, é a partilha de tudo o que temos em tudo aquilo que queremos ter. A felicidade é a conquista menos percebida, mas mais vivida pelo comum, pelo que nós somos ao outro e pelo que o outro nos representa.

Entende e sê pequeno o quanto possa: compacta. Guarda só aquilo que te faça ir além dos limites físicos, de planejar o inalcançável e o mais longe: todo o bem que se quer está por perto, esperando que assumamos, finalmente, que a pequenez de um ser é toda a grandeza válida: tudo aquilo que se é e que o mundo enxerga às lentes de aumento — pequenez é a raridade, é o que nos torna enormemente visíveis só pelo que carregamos no coração.

Larissa Mariano

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Cor(ação).


Foto: Arquivo pessoal

Pés no chão, asas no céu. Qual é o mais alto que se pode chegar? No meio do caminho, histórias, tentativas, erros, frustrações, acertos, sorrisos, lágrimas, felicidades completas. Plenitude. Qual a paz de sonhar acordada?

Nesse sonho, que alimentei para crescer comigo, sonhar e realizar são dois verbos de presença constante. Eu não imaginei, mas meu presente veio numa quinta-feira, há sete anos atrás. 

Eu entrei naquela passarela pra dizer: “Para tudo, Esquadrão da Moda”. Não fiz ideia naquele momento: mas foi o mundo que parou para o meu tempo de sonhar. Sonhei um autógrafo, um reencontro, um trabalho. Ganhei apoio da família, incentivo, surpresa de aniversário, presenças e um amor pra vida toda. Ganhei amigos.

Ganhei a chance de aprender, de amadurecer, de escolher o jornalismo e de amar uma área que veste a alma, veste o coração para se sentir seguro e pulsar, ainda que descompassado de emoção, num ritmo que não destoa da felicidade. 

Ganhei a oportunidade de repetir mais de mil vezes a primeira palavra que, nas histórias da minha mãe e da família toda, aparece como a primeira que eu li na vida, num outdoor, aos três anos: MODA. 

Por maior tendência nas passarelas dessa minha vida, de todas as estações possíveis, ponho o amor. Costuro, bordo, guardo com afinco. E ele me transborda, me supera, me ensina. E ele me coloca pra chorar, pra rir, pra viver o novo, aquilo que eu menos espero. 

Pra conquistar. Ganhar corações de afeição pura e eterna, doces surpresas que a vida reserva além do máximo. É que, bem de verdade, o maior dos sonhos dessa vida é o amor. Que chega oportuno, que abre caminho, que sopra bons ventos, que faz de seu rumo o eterno. 

Qual é o mais alto que se pode chegar? A gente ainda não sabe. Eu ainda não sei. É que, a cada novo acontecimento, é amar que me eleva. É amar que me leva. E eu sei que, se me falta num físico um equilíbrio, é agarrada na fé de amar sempre mais imensa e intensamente que eu me locomovo rumo ao mais alto grau de emoção possível.

Me emociono e, para alguns, falho. Se jornalistas devem ser mais frios em seus relatos, falhei. Sou coração. Daqueles que relatam tudo a partir do tanto de amor que veem numa história. Neste caso, como eu sempre agradeço por ser, a minha.

Larissa Mariano

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

vinte avante.

Fonte: Pinterest


Ao som de: Fight Song - Rachel Platten

É tanto tempo, é tanto. Quanto tempo faz? Quanto tempo faz que chegou? Lembro só que eu assoprei as velas. Dezoito. Dezenove. Vinte. Sinto-me ainda pequena, quando fazia aniversários e todo mundo da família enchia milhares de bexigas para eu brincar em meio a elas. Quando foi que elas estouraram? Quando foi que a brincadeira mudou?

Como é quando a gente passa a brincar de vida adulta? É que às vezes eu paro e penso: será que eu já mudei? Será que eu sou adulta agora? Busco meu RG. 30/11/1995. Vinte anos, quase vinte e um. Adulta? Mas e essa foto de criança?

Ok. Quase concluindo a faculdade. Mas e alguém perguntando em que série você está? Próprias contas, talvez? Check. Ir sozinha a algum lugar? Feito. O que é que me define “adulta”? Passei dos dezoito, saí do colégio. Não dirijo, não bebo, não fumo. Então, o que é que, aos vinte, me faz adulta?

Como é que a gente se sente quando cresce? Existe um start na cabeça que diz: “bom, você mudou?” Aqui ele não chegou, mas também sinto que não sou menos adulta por isso. Acho que cresço internamente. Dia a dia. No trabalho, na faculdade, em casa, tendo que fazer coisas que eu nunca fiz.

Lembro sempre de todos os adultos ao meu redor dizendo: “a vida de adulto não é fácil” e não é. Mas não é via de regra acertar tudo, ter sucesso em tudo. Não é obrigatório saber todas as experiências e, por mais dolorido que seja, é permitido errar. Não se prive. Nem do erro, nem da consequência, nem das fases inerentes à vida.

Sabe quando a gente ensaia os primeiros passos? Pois é, eu lembro nitidamente. Talvez nem faça tanto tempo. É que, também talvez, os passos que a gente dê sempre sejam os primeiros. E a gente nunca consegue saber o que há depois. Como a maioria de nós ouvir quando era menor, “o futuro é uma astronave que tentamos pilotar”. Desliguem os pilotos automáticos. Guiem.

A gente não nasce sabendo mas, no fundo, sempre tivemos o mesmo sonho: voar muito alto, rumo às maiores realizações que pudermos imaginar pra vida. É por isso que, do nem tão alto do meu 1,47 m, ainda enxergo crescer: acho que a gente, mesmo adulto, não aprendeu onde fica o fim do mundo pra não desaprender a sonhar, pra não esquecer nunca que sempre podemos ser maiores — e melhores todos os dias.

Larissa Mariano

terça-feira, 18 de outubro de 2016

adiante.


Fonte: Pinterest


Superação. No dicionário, encontramos como ato de superar, vencer, alcançar. 

Superar, alcançar, conseguir, vencer. No dicionário, sinônimos. Na vida? Metas. Superar não é descobrir-se incapaz de algo e realizá-lo no tempo seguinte. Superar é acreditar que, mesmo diante da limitação, a única impossibilidade é desistir.

Superar não é realizar um ato grandioso, um feito para ser visto por tudo e por todos. Superar não é só segurar um troféu. Superar é esperar apoiá-lo nos braços que um dia trabalharam para consegui-lo. 

E, de verdade, qualquer um supera. Supera um medo, um obstáculo na rua, uma prova complicada, um desafio no trabalho. Supera o tempo curto, o prazo apertado. Tudo, qualquer um é capaz de superar.

Superação é, então, olhar. Uma questão de ótica pura. De como você olha para o seu problema, de onde você busca a sua solução. Superar é errar — e aprender o que fez de errado em cada tentativa falha. 

Superar é corrigir. É buscar melhorar, é ir a fundo em cada pequeno detalhe. É empilhar o pouco a pouco e ter escada para alcançar o muito. Superar é criar experiência. É, degrau a degrau, aprender consigo mesmo um outro lado da vida.

Superar é dar um passo. Um só. Um seguido de outro. De um. Um a mais. Outro a mais. E outro novamente. Superar é prestar atenção no caminho, é enxergar o limite, é transpô-lo. O limite é a superação.

Superar é ser curioso, é querer ver além do limite, é buscar aprendizagens que cada vez mais salutares lhe sejam ao progresso. Superar não é muito, é pouco. A superação é a corrida em que muitos esperam vislumbrar a medalha da linha de chegada, mas poucos lembram-se de caminhar no ritmo certo durante a ida. 

Larissa Mariano

domingo, 18 de setembro de 2016

vista.

 
Fonte: Arquivo pessoal


Ao som de: Saturn — Sleeping at Last

Tenho consideráveis 3,5 e 3,75 graus de miopia. Esquerdo e direito, respectivamente, caso isso seja um detalhe tão relevante quanto a mensuração do tanto que consigo enxergar.

Obviamente, uso óculos. Inclusive, provavelmente não poderia escrever quaisquer palavras destas que me vêm na madrugada caso eles não estivessem ao meu alcance.

Escrevo com alma e, de modo muito clichê talvez, ouvi dizer que “os olhos são as janelas da alma”. Talvez concorde — e veja pouco. Vejo pouco porque preciso de toda a nitidez possível, todo o amparo possível para enxergar minha alma própria. Preciso de coisa qualquer que funcione como lupa para me aproximar às cores mais vivas, aos detalhes mais nítidos.

Detalhes que sou incapaz de ver se minhas lentes corretoras não repousam algum tempo sobre meus olhos. Veem mais de perto, de outro jeito, qualquer ângulo que escolham ser. Mais que enxergar, ver.

Ver com percepção, com tato, com sentimento, com alma, com luz. Com tudo que rodeia, que conduz palavra, que tateia verso, que exprime pouco do que se é além dos óculos, dos graus de miopia e da ocasional falta de equilíbrio.

O que se é, comparado ao que se vê? Como se descreve a vista a quem fecha os olhos? Como se vê pela alma enquanto as janelas não se abrem? Como se imagina? Dê-se mais alma, mais olhos além do físico, mais janelas e mais ângulos. Abra possibilidades, busque, mantenha.

Veja. E, enquanto vês com a alma, fotografas — e, de sorte, grafas — de amor inteiro ao coração.

Larissa Mariano

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

notte.

Pixabay


Estou quase fechando os olhos. Não me lembro se essa música era boa de fazer dormir. Sei que, enquanto ela toca nos meus fones, eu sonho. Assim, acordada mesmo. Das poucas vezes que escrevo assumindo-me aqui do outro lado, eu sonho. 

Eu sonho com as possibilidades. Quando o dia raiar por detrás das minhas cortinas, o que vou ver? Sonho com as vistas do voo, da verdade, do crescer que sinto que tem feito morada por aqui ultimamente. Sonho com referências do que conheço, sonho esperando que sonhar não conheça fim.

Afinal, não conheço mais finais. Há tempos não escrevo um ponto sem que ele se continue em mil outras ideias que se desdobram infinitas do coração à cabeça, sem que as palavras se reorganizem sozinhas, decidindo o que querem dizer para mim.

Embalada pelas notas que tocam suaves, eu desperto. A melodia acelera, meus dedos seguem o ritmo. Correm as teclas e buscam sentido. Sonhar é urgente, sonhar é agora.

Fazer começa. A gente confessa que, de verdade, nunca sonhou pequeno. Afinal, ninguém foi tão pequeno que não tenha desejado ser grande algum dia. “Gente grande”, pensam as crianças. 

E nenhum adulto terá sido tão imenso que, por um dia se quer, não tenha lhe ocorrido a vontade de diminuir os problemas e parar para reparar as cores do caminho. Azuis. Mas os céus sobre a cabeça já haviam acinzentado sem notar…

Eles disseram, despretensiosamente, que a noite era uma criança. Percebo, durante essa noite que arrasta seus segundos junto às minhas palavras, que é preciso um imenso grau de amadurecimento para perceber a verdade nas palavras ditas. É preciso ser tão criança quanto talvez nem nos lembremos do quão infantil tenha sido nosso olhar um dia.

A noite é uma criança. É hora de criança dormir. É. E que sorte. Eles são os que levantarão mais cedo a perceber que o sonho não é de dormir, é despertar de feitura, de realizar e de prosseguir. Sonhando. Hoje. Agora. Sempre. 

Larissa Mariano

domingo, 26 de junho de 2016

per.fei.to

Fonte: Pinterest

(adj.) 1 Em que não há defeito; que só tem qualidades boas. 2 Cabal, completo, rematado, total. 3 Que resume muitas qualidades boas. 4 Magistral, notável.

Acalma-te. Entenda primeiramente que, de forma inteira, não vai dar tudo certo. Mas as coisas inesperadas chegam na tua vida por um propósito, por brechas que você se vê obrigado a espiar, como crianças que buscam saber qual o presente de Natal antes que o relógio possa marcar meia-noite.

Vai com todas as ressalvas do mundo. Mas, ainda assim, vai. Com toda a força que guardas nessa alma capaz de suportar os erros universais e de perdoá-los em sua totalidade porque, no íntimo mais profundo, sabes o quão desafiadoras podem ser as tentativas de atingir a perfeição.

Respira profundamente. Pé ante pé, vai relembrando o sorriso mais sincero, o momento mais bonito. Vai ganhando o chão do quarto, o tapete da sala, o aconchego dos sofás, a fechadura da porta. Vai desbravar o lado de fora, faz tempo que não chega para ver o tempo que faz. Não espia mais, sente. Permite.

Não suplica, liberta. Teus pedidos são atendidos pelas tuas próprias mãos, capazes de laborar em seus capacidades tão infinitas quanto as sentimentalidades que são expostas escritas de próprio punho nas paredes do teu coração. Deseje — e ele lhe ajudará a reabrir os olhos da alma.

Não só enxerga, mas vê. Deixa que avistar seja tarefas para outro dia. Hoje, vai ser mais de perto. Hoje vai ser a fundo, sem medos. A água que leva — e lava — torrencialmente a aflição carregada de “serás” e “talvez” vai passar do umbigo. Perigoso é ficar, só permanecer sem pertencer.

Mergulha, transborda, alaga, transcende, transforma. Sê outra vez tua essência, absorvida às profundezas da pele como quem agarra-se de ímpeto único. Sê. Total e completamente.

Esquece, vai dar errado. Acalma-te. Ânsia plácida que nos cerca. É mansidão, calma e paz. Esteja certo. Errar não é dor, é poesia. É verso que se apaga e reescreve, sem perder as entrelinhas. Perfeição não é totalidade, é coração aberto a pulsar recomeço eterno. Perfeição é reconhecimento, amor interno, intenso e eterno, alvo, construção e costura de acertos. E, enquanto esperas e cooperas com sementes de amor e  chances suficientes, verás que perfeição não é, mas vai ser.

Larissa Mariano