A tal da inspiração...

Muitas vezes já me perguntei quais eram as coisas que me inspiravam a escrever... Talvez uma música, palavras ditas por alguém, uma aula reflexiva, um vídeo, enfim, inúmeras coisas variáveis. Apesar disso, percebi que todas essas coisas vem a mim através de pessoas...

Pessoas que marcam a minha vida, que me ajudam nas coisas simples, que estão comigo a todo momento, que riem, choram e, principalmente, vivem ao meu lado. Amigos, família, pessoas pelas quais eu tenho amor, que estão em meu coração.

É pensando nisso que escrevi esse texto, que diz um pouco sobre a minha inspiração e sobre o que é escrever para mim, segundo a diferença grandiosa que cada uma destas pessoas pode fazer...

Felicidade

Faz frio. Meus pés gelam, minhas mãos também. Eu não tenho coragem de tocar o chão, e acabo de descobrir que escrever aquece. Escrever aquece por que acalma a alma que há pouco gritava em pensamentos de vida própria, independente daquilo que meu cérebro processe ou tenha preguiça de analisar... Eu não sou aquilo que penso nos segundos que vivo de um dia, sou aquilo que resguardo na alma.

Escrever é literalmente como um cobertor de lã. Cada sentimento é um fio que tece as mais variadas possibilidades de uma louca vivência para a qual não se pode ensaiar, por que não se tem tempo. Não se pode também apagar, por que nunca se tem volta. Voltas e voltas que a agulha dá para tecer um ponto. Nunca pensou que possam se parecer com o esforço que fazemos para manter alguém a quem amamos por perto, atado aos nossos corações?

Ponto a ponto, ideias a ideias, sentimentos a sentimentos, pessoas a pessoas, nos tornamos mais resistentes e mais aquecidos, afinal, como a sabedoria de Tom Jobim permitiu deixar em legado, é impossível ser feliz sozinho. Ser feliz não é ter alguém ao lado, eu concordo. Mas ser feliz é raspar a panela do brigadeiro, é rir pela risada do outro, é olhar para uma fotografia que quase amarela no porta retrato ao lado da sua cama e ser capaz de lembrar daquele momento registrado. Ser feliz é mais do que uma ação, é mais que um conteúdo, é mais que uma ordem, é um estado de espírito.

Ser feliz não é ter alguém, não é mesmo. Mas ser feliz é encontrar num alguém a felicidade. Por que felicidade boa, é aquela que você pode dividir. Você pode dar uma outra colher para sua panela de brigadeiro, você pode ter alguém para rir da sua propria risada e nem saber do que está rindo, você pode tirar novas fotografias com um simples olhar, que registrará aquele momento bom para sempre contigo. E não, ser louco a esse ponto não é estranho.

Estranhas mesmo são aquelas pessoas que procuram a receita, ou até um mapa do tesouro pra encontrar a felicidade. Traçam planos, vão a lugares diferentes, ou acreditam que sempre estão com a felicidade junto de si. Sabe de uma coisa? A felicidade nunca está onde estamos, nunca mesmo. Nós não merecemos ser felizes? Claro que sim. É que a felicidade só espera que sejamos um pouquinho instruídos de vida para, um dia, entender que ela sempre está um passo atrás de nós, esperando que saibamos viver para encontrá-la.

E assim seguimos interpretando sempre tudo errado. Você não precisa seguir métodos ou medidas para encontrá-la. Você não precisa passar a vida inteira procurando onde a menina danada da felicidade se escondeu naquele pique-esconde quando você, pela primeira vez, resolveu brincar. Para achar a tão clamada felicidade, só é preciso viver. Por que, afinal, como alguém pode se contentar com estar feliz, quando se pode SER feliz?

A felicidade é o estado do seu coração, é o fio que arremata o cobertor que o aquece. É o ponto crucial do novelo. Uma vez puxado, requer um esforço enorme para retomar o trabalho do jeito que estava. Mas é assim que a vida é. Erramos, acertamos, tropeçamos, caímos, ralamos um ou dois joelhos e tornamos a caminhar em frente... Estar feliz é se sentir finito, ser feliz é se sentir completo. A felicidade é, portanto, o maior dom de alguém... Se você não o tem e não acredita que possa obter, aí, só tenho que pedir para que ao menos consiga sobreviver ao frio, pois haverá cobertor que aqueça-lhe mãos e pés, como os meus, mas não haverá cobertor que lhe aqueça o frio cortante da alma...

Larissa Mariano

2 comentários:

  1. Que texto eh esse?um dos mais lindos e emocionantes que ja li! Estou aqui no embu das artes...um clima propricio para essa leitura. Vamos cativar essa eterna felicidade...a que nos completa por inteiro....aquela que aquece a alma...e um brinde aos eternos brigadeiros de panela..que tanto nos alegra....detalhe basico..que o mais gostoso eh raspar a panela rss bj bj

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    1. Poxa, Dé! Fico realmente muito feliz que tenha gostado tanto assim do texto... A felicidade é realmente a melhor das coisas a serem cativadas, mesmo com o brigadeiro de panela... Ah, claro! A melhor parte sempre fica pra quem raspa a panela... :D

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