Ao longo do caminho

Talvez deva eu ser como aquele livro que agora avisto por trás da janela... Está sobre um pilar, aberto e deixando voar suas páginas meio amarelecidas se movimentarem pelo vento que sopra dos céus.

Ele é definitivamente como eu, e como a minha vida, consequentemente. Não tanto pela história, apesar de ter-lhe extraído boas lições, de serventia atemporal, provavelmente eterna.

Ele é como eu, por que sempre levará consigo as marcas do passado. Dizendo isso, não é desejo meu que elas pareçam o fardo ruim que, de bom grado, ninguém se dispõe a carregar. Quero que pareça a bagagem etiquetada com destino certo a um rumo completamente desconhecido, que lhe conferirá auxílio no momento de explorar o que for novo.

Que meus medos fiquem retidos e não me impeçam mais de caminhar sobre meus próprios pés. Eu sei que é isso. Que é só medo. Medo de soltar e não poder lidar com as consequências de uma liberdade imediatista demais. Mas, se não fôssemos feitos para viver livres, por que teria Jesus nos contado acerca do livre arbítrio, e Deus nos concedido?

Não há o que temer, se pela frente há bons motivos para ser firme e persistir nos benignos caminhos para felicitar a alma e suas necessidades.

Haverá quem me faça o bem e me tome nos braços quando o medo me vier de novo.

Eu só não posso ter medo de seguir, quando há mais o que progredir que ceder ao regresso.

É finalizando este texto que me comprometo a aprender a honrar os espaços em branco do livro que sou e que ao papel porei, dando oportunidade de descrever o futuro, e não somente narrar os passos que, a cada dia, vêm fazendo mais jus ao título de passado.

Dou-me por vencida, não como um combatente desiste da guerra, mas como um soldado se apronta para a batalha, que sei que a minha será de desbravar a vida, sob um equilíbrio que aprenderei a ter, à medida que a caminhada é o melhor remédio para o conhecimento...

Larissa Mariano

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