Vida de jornalista: Primeira reportagem

Quem vem acompanhando o blog, sabe que estou cursando jornalismo, saindo do primeiro ano. Nessa vida de jornalista, produzi minha primeira reportagem, que a princípio tinha o tema: Como a criança deficiente ensina a escola a aprender e ensinar inclusão social?

Na busca por personagens para contar uma história que pudesse atender ao que eu precisava, eu encontrei o blog da Alina, que escreve um blog sobre a filha que tem artrogripose - uma rigidez nas articulações. O Duda: Luz da minha vida, conta a história de uma menininha muito especial que eu tive a grande oportunidade de conhecer, entrevistar a família e contar essa história, que tem uma conquista incrível!

Aí vai a reportagem que eu escrevi sobre a história da Maria Eduarda:

INCLUSÃO

Deficiente consegue cuidadores para todas as escolas de Assis, interior de São Paulo

Para especialistas, a relação entre a família e a escola é essencial para a inclusão de crianças portadoras de necessidades especiais
Por Larissa Mariano


Ao se mudarem para a cidade de Assis, interior de São Paulo, os pais de Maria Eduarda Yule Noronha, 4, que tem artrogripose – uma rigidez congênita das articulações – buscaram um cuidador escolar para a menina. Sem resultados com a Secretaria de Educação Especial, a mãe, Alina Boabaid Yule, procurou o Ministério Público. “A prefeitura perdeu o prazo de defesa e, quando se defendeu, disse que não havia lei que tutelasse esse direito do cuidador. “O promotor do caso entrou com uma ação civil pública, que cedeu cuidadores não só para a Maria, mas para todas as crianças deficientes de Assis”, relata.

A decisão judicial partiu após uma constatação de que a necessidade dos auxiliares em sala de aula não era uma exclusividade de Maria Eduarda, mas de muitas famílias que não procuraram a justiça por desconhecerem seus direitos. “É importante estar bem informado. Caso contrário, isso pode impedir até mesmo que a criança frequente a escola”, comenta a mãe da menina.

Após a atitude da família de Maria, apoiada na lei nacional aprovada em março desse ano, que garante cuidadores para todas as crianças matriculadas em escolas públicas do Brasil, a prefeitura da cidade passou a conceder o direito às crianças sem necessidade de apoio jurídico, somente informando a escola da necessidade. É o que acontece no caso de Andreia Esquerdo, cuidadora de uma criança autista, matriculada na mesma escola da menina. “A própria escola foi quem me contratou, a família não precisou tomar nenhuma medida”, explica.

Na visão de Teresa Viana, psicopedagoga especializada em AEE (Atendimento Educacional Especializado), um ponto fundamental para a inclusão do aluno com deficiência é a parceria que deve ser estabelecida entre a escola e a família, respeitando e trocando informações sobre seus avanços e necessidades. Na rotina de Maria Eduarda, a conclusão é posta em prática na relação com sua cuidadora, Jéssica Minati. Estudante de fisioterapia, a acompanhante de Maria chegou a pedir aos pais da menina uma autorização para assistir a uma sessão de fisioterapia dela. “Foi um aprendizado muito importante, principalmente por ela buscar muita independência”, conclui Jéssica.


Autoaceitação foi a palavra chave para Maria Eduarda iniciar a vida escolar. A mãe conta que sempre a deixou consciente de suas possibilidades e limitações. “O mais importante, na minha concepção, para uma criança com deficiência, é se conhecer. E para se conhecer ela precisa conhecer o outro, entender as diferenças”.

Dentro da sala de aula, professora, cuidadora e colegas de classe se tornaram aliados para o desenvolvimento da menina. “A incentivamos a pintar com a boca, fazer desenhos, atividades com tinta. Já colocamos também a caneta na mão dela e eu tentava ajudá-la a escrever o próprio nome. Os colegas também queriam participar ajudando”, conta a cuidadora.

Uma criança deficiente matriculada em uma escola normal ensina, mais do que tudo, a importância para todos os alunos de conviverem com as diferenças, aprendendo a respeitá-las, conforme explica a psicopedagoga. Como notado por todos que convivem com Maria, a convivência e aceitação dos colegas de classe fez diferença para ensinar sua inclusão. “Quando chego para buscá-la, ela está na cadeira – ou às vezes não é nem ela, são amigos que ficam fazendo fila para brincar. Tem crianças sozinhas, mas nunca ela. Eu nem consigo vê-la de tanta gente que tem ao redor”, conta o pai da garota, Rodrigo Noronha.

As conquistas da menina dentro da escola começaram bem cedo. Dentro da AACD – onde ela realizava as terapias desde os três meses –, a mãe de Maria foi orientada a matriculá-la, mesmo antes dos dois anos de idade completos. O primeiro contato com o ambiente escolar aconteceu com um ano e onze meses e mudou a rotina da instituição. “Quando eles tiveram que aprender a usar os aparelhos, ela estava usando o parapódio – um aparelho que auxilia no desenvolvimento motor, postura e fortalecimento da criança. A fisioterapeuta também foi à escola para ensinar os professores a fazer algum tipo de exercício para ajudar a Maria. Nós também ensinamos, mas eles mesmos desenvolveram atividades e adaptações para ela”, contam os pais.

Maria Eduarda utiliza o parapódio para passear com o pai

“A aceitação da escola e a interação com o ambiente familiar são fundamentais para a inclusão acontecer de fato”, afirma Maria Teresa. Para a avó de Maria Eduarda, o desenvolvimento dela se dá muito pela leitura de mundo que as crianças com algum tipo de deficiência fazem, estimulando áreas do conhecimento que não ajam tanto em conjunto com o físico e que, geralmente, as pessoas não se atentam. Sobre as expectativas com relação ao desempenho da filha, Alina conclui: “Quero que ela seja independente, mas não quero que o mundo se adapte à Maria, quero que a Maria se adapte ao mundo”.

8 comentários:

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    1. Marcia, a Duda é um exemplo de vida mesmo, me emocionei muito contando a história dela!

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  2. Maravilhoso o texto..e a historia....
    amei de paixao

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    1. Que bom que você gostou, Dé! Eu fico numa felicidade imensa de saber que fiz um bom trabalho pra contar uma história tão linda!

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  3. Parabéns porque você merece! Um grande abraço!

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    1. Muito obrigada mesmo, Luiz Claudio! Fico muito honrada com os parabéns! Abraço (:

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  4. Minha chará, que maravilha de texto! Além de um conteúdo riquíssimo, você parece que já está formada! Amei, amei, amei!
    Meus parabéns e todo sucesso do mundo nessa sua carreira maravilhosa!

    Beijos,
    Lari Bacellar.

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    1. Ah, Lari... O mérito é todo da Duda e da família, que me acolheram super bem e contaram de uma forma incrível a história dessa pequena! Ainda assim, eu fico muito feliz de ter feito um bom trabalho pra contar isso de uma forma que seja jornalística e emocionante ao mesmo tempo!

      Obrigada pelo apoio e que você continue comigo durante a carreira toda! Muitos beijos

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