Inspiração: Livros

Para quem me conhece e me acompanha no Facebook, tive uma ideia e montei uma enquete por lá: "o que achavam de ver (e ler) textos sobre os livros que eu leio aqui no blog?" A resposta foi um sim unânime, todos aprovaram. É por isso que se iniciam novos tempos no Caderno de Poeta. E novos tempos trazem novidades, claro.

Então, acostumem-se a ver por aqui as minhas percepções sobre cada livro, que me ensinam, inspiram e fazem-se aprendizados para a vida toda. O que escolhi hoje acabei de ler e é, sinceramente, um dos melhores que já li em toda a minha vida!

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Sinopse: "Na primeira vez em que alterou o curso da história, em 1915, o então jovem camponês russo Geórgui Jachmenev conseguiu impedir um atentado à vida do grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar. Esse involuntário ato de bravura acaba por assegurar a Geórgui um lugar de honra na corte de Nicolau II, que o nomeia guarda-costas pessoal de seu filho, o também adolescente Alexei Romanov.

Em 1981, agora cidadão britânico e funcionário aposentado da biblioteca do Museu Britânico, o octogenário Jachmenev, enquanto vela pela saúde da esposa Zoia, que vive os últimos estágios de um câncer devastador, deixa a memória flutuar, recordando aleatoriamente os fatos de sua vida, grande parte deles ligados diretamente a eventos históricos que transformaram o século XX.

Rasputin, Winston Churchill, um amigo de Charles Chaplin, o último czar russo e outros personagens históricos de vulto misturam-se às pessoas comuns do imaginário de Jachmenev, à medida em que sua memória vai aproximando os dois momentos mais importantes de sua trajetória, aquele em que conquistou o amor de sua vida e aquele em que está prestes a perdê-lo de forma definitiva".

Fiquem então com o meu olhar sobre O palácio de inverno, escrito por John Boyne.

Intenso e interno

O frio que lhe assomar vem, sorrateiro, das tuas lembranças. Não toca-lhe a pele, mas surra-lhe o corpo. Beira o físico, mas toma para si os pensamentos. É frio, gélido, congelante. É inevitável lembrar do que não te fez bem um dia, pelo menos por algum momento. Mas deve ser, com ainda maior fervor e importância, inevitável esquecer algum dia também. Vai passar, como sempre passa. Um dia chega o verão para abrandar os corações que estiverem gélidos pelo frio do tempo.

É questão de aprender. De congelar o que foi ruim e não deixar que aquele tempo se retome. Mas de aquecer o suficiente para sentir abrasar a alma com a alegria. Tudo é perigoso, se em excesso. O gelo e o fogo, só fazem bem ou mal de acordo com quem os domina, mas são neutros. Nas mãos de quem o dominar, são frio e calor, são valor.

O valor que se dá ao que dói e deve ser gélido para sempre. Deve passar pelo tempo de aquecer-se sem descongelar. É a opção que se faz de valorizar a vida e cada instante que haja nela, cada aprendizado, cada felicitação, cada canto de cada um. E por si só, valorizar que a vida é quem deve atravessar todas as estações, como agrupadora de experiências que é.

Torna-se questão de entender. É questão, assim sendo, de aprender, entender, de viver. De reunir para si os invernos e os verões, as riquezas e misérias, as vitórias e as derrotas, as proximidades e as distâncias. É para ser assim. É para por na balança da vida o que vale mais, o que se quer, o que se precisa. É para cumprir suas promessas ditas, é para olhar para trás e ter boas memórias do que se vive. É, simplesmente, para ter como casa não o lugar onde se pisa diariamente, mas os que valerem a pena quando pesados pelo próprio coração.

Larissa Mariano

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