Resenha: Extraordinário, de R. J. Palacio

Eu simplesmente me apaixonei por esse livro. Talvez porque todos os livros com histórias de vida me toquem, mas acredito que mais porque tudo o que Auggie Pullman é, neste livro, eu ao menos tentei ser na minha vida. Não tive tantos problemas como ele teve, não passei por tudo o que passou nessa história, mas tentei mostrar às pessoas que conviveram comigo - ou que simplesmente passaram por mim notando minhas muletas ou andadores cor-de-rosa -, que a vida é isso mesmo. Que é de ser como somos e que nosso exterior faz-se um reflexo do que somos por dentro, sim. Por que nós é que levaremos nossa imagem aos outros. É como nos vemos que faremos com que os outros nos vejam, com esforço e alegria no coração sempre.

Saraiva
Sinopse: "Auggie (August) Pullman nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela  frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

R. J. Palacio criou uma história edificante, repleta de amor e esperança, em que um grupo de pessoas luta para espalhar compaixão, aceitação e gentileza. Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade - um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhum, extraordinariamente positivo".

É nesse clima que apresento pra vocês minhas percepções e aprendizados com "Extraordinário", de R. J. Palacio.

Transpareça-se

Não tem jeito. Você é o que é. Acostume-se. Goste disso, goste muito mesmo. Às vezes, as adversidades da vida nos forçam a talvez uma revolta, um descontentamento, um desgosto com quem somos, com as circunstâncias em que estamos, com o que podemos ou não fazer. Mas não. Eu, particularmente, não quis que elas chegassem. Quis saber quem eu era. O que eu podia fazer pelo mundo e o que o mundo podia acrescentar a mim. Vi as dificuldades como oportunidade de aprender, de experimentar, de tentar. De dizer que eu ia conseguir, que eu ia persistir para ir até onde eu pudesse, superar os meus limites.

Não sei, sinceramente, se fiz tudo o que eu podia ter feito. Foram tantas as coisas, que hoje não consigo contabilizar direito. Provavelmente não. Devem ter faltado algumas coisas pelo caminho, que deixei de fazer. E nem todo mundo faz tudo. Errei. Errei como todas as outras pessoas e também arquei com cada consequência. Ganhei muitas oportunidades e fiz delas a felicidade que queria para o meu caminho, para a minha jornada a trilhar.

Quando chego a Auggie Pullman, paro e me vejo um pouco ali. Preconceito, julgamento, aparência. É o que todo mundo olha primeiro, ninguém pode negar. Ninguém sente de cara o coração de alguém. Mas se dispõe a tentar. É aí que reside a verdadeira importância. Em tentar fazer o melhor que se pode, em não se envergonhar de aceitar nem de pedir ajuda, porque jamais será chamado de fraco aquele que foi ajudado, pois de onde virão as sabedorias e os conhecimentos se ninguém os ensina? A ajuda é o ensinamento físico que alcança a alma. É a mão estendida que toca o coração de quem a tem. É a coragem que contagia a mente de quem recebe, é a gratidão que ilumina permanentemente aquele que o faz.

É sob a luz da aceitação que cada um vive a sua luta. Ninguém há de se conformar, mas de aceitar e progredir no que puder, de compreender diferenças e somar igualdades, de aprender com o que acredita o outro, de ter curiosidade e humildade o suficiente para ouvir versões diferentes de uma mesma história, com conceitos e crenças que variam de cada um.

Quem vence, nunca é o preconceito. Quem vence é quem o dribla, quem o deixa de lado para conhecer. Para abraçar, para deixar fazer parte. Ganha quem deixa que o outro transpareça. Ganha quem transparece-se. Ganha quem ganha o jogo com o coração, com a alma e com o pensamento ligado à igualdade de ser diferente.

Larissa Mariano

2 comentários:

  1. E é por isso que eu te amo, pequenina. Pela pessoa enorme que você é por trás das nossas muletas/sabres de luz. Amo pelo seu doce olhar e pelas coisas que você me ensina diariamente.
    Adoro ter tempo pra ler suas postagens, afinal, sempre adorei Jane Austen e Tomás Antonio Gonzaga ^^

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    1. Vick, Vick... Hahaha obrigada por tantos elogios e por tudo, sério mesmo! Obrigada por vir aqui, por ler o que eu escrevo e por ter essa audácia de me comparar a tão grandes escritores como estes que você citou... Não sei se chego lá um dia, mas faço o que posso sempre *-*

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