Resenha: Pequena Abelha, de Chris Cleave

Quando terminei este livro, deixei esta resenha dormir por um tempo em meio aos meus arquivos. Sabia que faltava alguma coisa que eu ainda não conseguia decifrar. Encontrei-o por acaso, navegando à procura de um bom título num dia vazio. "Pequena abelha" me pareceu simples demais, mas intrigante o bastante para me fazer lê-lo. É uma leitura que me instigou muito, principalmente por ter uma relação imensa com a profissão que eu escolhi: o jornalismo.

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Sinopse: "Essa é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa… Depois de ler esse livro, você vai querer comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como essa narrativa se desenrola".
Assim, gostaria que chegassem também às minhas próprias páginas de "Pequena Abelha", escrito por Chris Cleave.

Voo ao âmago

Voo para pensar que não foi para voar que fui feito. Que não foi para entender coisa alguma. Que não foi para estar vendo o azul que parece infinito destes céus  que pairam sobre nossas cabeças. Não fui. Escolhi ficar e assumir os riscos. Decidi vestir minhas asas e ver o que eu podia fazer. Decidi que eu ia voar naqueles céus não porque quisesse de verdade descansar numa nuvem,  mas porque queria ver mais plenamente os lugares que eu podia alcançar.

Voo para entender o que, visto de perto, me confundiria. Voo para afastar-me e pesar cada desenrolar de história e cada consequência. Voo para isolar-me em mim mesma quando isto se fizer necessário (porque sei que algum dia isto acontecerá). Voo para conquistar o que é meu e enxergar as imensidões de passos que eu posso dar rumo aos meus sonhos que ainda são desconhecidos, que caminham lentamente para, um a um, adentrarem as minhas noites e marcarem  meus pensamentos.

Voo para entender que o mundo não é daquelas mudanças drásticas que todo mundo arquiteta em momentos dispersos. É daquela pequena decisão que você toma quando alguma coisa lhe faz parar para pensar, como neste livro. Pensar que a ficção é tão realista quando colocada aqui fora, sem as palavras grafadas nas páginas, mas com as verdadeiras experiências. Pensar que se podia muito bem estar vivendo num livro e que, ao mesmo tempo, sua realidade pode ser transcrita.

Ao final do dormir destas palavras aqui escritas, deixo uma pergunta: se pudesse, o que escreveria nas páginas da sua própria vida?

Larissa Mariano

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