Para (literalmente) viver melhor

Há algum tempo, iniciei junto ao meu grupo na faculdade um projeto de jornalismo comunitário. Precisávamos escolher um bairro e uma instituição sem fins lucrativos para apoiar com a ajuda da comunicação que, no caso, seria confeccionar um jornal ou um mural.
Encontrei a Viva Melhor antes disso, nas férias, assistindo uma reportagem na TV. Era assim que tudo começava. Ir até o centro de Santo André, conhecer o trabalho dessas mulheres, ouvir suas histórias e, principalmente, entender suas necessidades. Mulheres que têm 15 anos de luta dentro desse projeto e que nos acolheram com todo o amor, atenção e disposição que precisávamos.

Eu espero, meninas, que tenhamos feito um trabalho à altura do que vocês merecem. Espero que tenhamos dado a vocês aquilo que precisavam porque, na minha vida, só tenho a agradecer pelo crescimento que tive nesse período.

Então, aí vai a minha reportagem especial, que conta os 15 anos da Associação Viva Melhor dentro do nosso jornal, Mundo Mulher.

Viva Melhor há 15 anos ampara mulheres na luta contra o câncer

Por Larissa Mariano

Um bolo, risadas e a doce vontade de viver. É assim que a Associação Viva Melhor para Mulheres Mastectomizadas - mulheres que retiraram a mama após um câncer - alcança seu décimo quinto aniversário. A festa foi realizada no Parque Regional de Santo André, reunindo em um piquenique mulheres que passaram pelos projetos de apoio da organização ou que simplesmente abraçaram a causa através do compromisso como voluntárias.

É exatamente de um abraço que Vera Chiavelli e Terezinha Cipriani - hoje presidente e vice-presidente da Associação Viva Melhor, respectivamente - começaram o trabalho. Sem encontrar apoio e informações suficientes dentro do município, as duas amigas se reaproximaram após contraírem câncer de mama. Elas criaram um espaço para amparar a mulher enquanto enfrenta a doença. "A ideia era fazer da organização um ombro amigo, um lugar onde a mulher pudesse se apoiar enquanto passasse pelo câncer", contou Vera.

A sede da Associação Viva Melhor fica no Centro desde a fundação e foi conquistada por meio da iniciativa de Ivete Garcia, que durante toda a carreira política - como vereadora, presidente da Câmara e vice-prefeita - esteve à frente de políticas a favor da mulher e, consequentemente, da organização. "Mantive sempre laços afetivos e políticos com a Viva Melhor, apostando no seu fortalecimento e contribuindo para a conquista de espaços. Tenho muito orgulho de ter participado desse processo", relata.

Vera conta que no começo não imaginava que o projeto daria tão certo, com tanto reconhecimento, tantas mulheres atendidas. Hoje, já são mais de 3 mil mulheres que se encaixam no relato da presidente da associação e que passaram pelo grupo de apoio ou que puderam receber as próteses doadas pela Associação - principal serviço oferecido pela entidade.

PRÓTESES

Confeccionadas pelas próprias voluntárias da associação, as próteses de mama são o principal destaque com relação ao trabalho da Viva Melhor e podem ser adquiridas gratuitamente. Enviadas para todo o território brasileiro, a mulher que a recebe arca apenas com os custos do envio e do sutiã para colocá-la, que é vendido a preço de custo.

SITE


Através do endereço da Viva Melhor na internet é possível realizar as encomendas de próteses e sutiãs que são enviadas pelo correio às mulheres que solicitarem e não puderem fazer a retirada na sede da ONG, além de obter diversas informações sobre o câncer de mama, desde cartilhas explicativas sobre o autoexame até orientações psicológicas de como lidar com a doença.

Secretária da entidade e responsável pelo envio das próteses, Marina Palma diz que tem satisfação em realizar seu trabalho com capricho e carinho por observar um retorno muito positivo de quem as recebe. "Eu fico pensando, quando preparo uma caixinha e envio para essa mulher. Ela mora lá em Manaus, não me conhece e eu também não a conheço. Quando ela abre aquela caixa, vê que a prótese mudou a vida dela. E vai contando para a amiga, se torna uma corrente que hoje está em todo o Brasil", diz.

A iniciativa de doar as próteses tem como principal objetivo aumentar a autoestima da mulher. "Muitas delas chegam encurvadas, a bolsa usada para disfarçar o lado operado, em que a mama foi retirada. Quando colocamos a prótese nela, já se olha no espelho de uma forma diferente, porque ela está vendo a diferença. Mesmo que no dia seguinte ela tenha uma quimioterapia, a Viva Melhor não vai tirar a dor, mas vai fazê-la enfrentar aquilo de uma maneira diferente", explica Marina.

É o que relata Débora Rodrigues, que conta todas as suas experiências com o câncer em uma página no Facebook, Razões de ser, eu e o câncer. "A maioria (das mulheres) acaba se isolando muito, tanto da parte social como da vaidade. E a mulher continua a mesma. A gente não se resume a uma mama. Eu tive a sorte de fazer a reconstrução, mas a mulher continua. Nós não somos uma mama, nós somos um ser completo, complexo e altamente especial".

Voluntárias em família


MARINA PALMA: "Sempre sonhei em ser voluntária. Na Associação Viva Melhor encontrei tudo o que imaginava em uma instituição, onde já trabalho há 12 anos.
Sempre acolho a paciente com muita atenção, carinho e amor. A paciente chega fragilizada e merece todo o meu respeito.
Me sinto realizada em trabalhar para o próximo e poder cumprir com dignidade a minha missão".

NATALIA PALMA: "Comecei como voluntária por acaso e ainda muito nova. Minha mãe já era voluntária na Viva Melhor e me pediu ajuda para fazer fichas, planilhas e agora eu administro o site.
 Por ele recebemos pedidos de próteses e sutiãs adaptados do Brasil todo, e ser a pessoa que tem esse primeiro contato é emocionante.
Hoje com 27 anos sou voluntária há 11 e com muito orgulho. Ajudo, respeito e dou muito carinho nas trocas de email".


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