Time of my life...

Arquivo Pessoal
Good Riddance (Time of Your Life) by Green Day on Grooveshark
Ele havia acabado de embarcar para longe de mim. Nos contatávamos todos os dias (eu e a família), simplesmente para saber se ele estava bem, se tinha conseguido se adaptar ao novo estilo de vida daquele país que durante uma semana foi a França, depois passou a ser a Inglaterra, mais precisamente em sua capital, Londres.

"Ah, mas ele vai estar aqui logo, tudo vai continuar igual". Era esse pensamento que, agora, eu descobri ter sido em vão. Muitos natais se passaram, muitos 16 de junho, quando ele comemora mais um ano de vida, ficaram para trás. De repente, eu me vi sentindo falta das coisas mais bobas possíveis, mais que somente agora eu podia ver o quanto tinham feito a diferença para mim.

Eu sentia falta daquele que estralava meus dedos ao acordar, que assistia desenhos animados comigo toda manhã, que colocava Green Day para tocar no rádio, que tocava comigo a parte do solo de Anna Julia em guitarras imaginárias, eu sentia falta de cada apelido novo que ele colocava em mim, eu sentia falta de ser o Larissão, de imitá-lo molhando bolachas de maisena no leite com Nescau, de chorar por que ele não queria comer o salgadinho que eu oferecia ou por que ele tinha feito a tatuagem do pacote de bolacha em minha meia ao invés da pele.

Queria que voltasse o tempo em que ele me ensinava a desenhar estrelinhas, em que ele "brigava" comigo por eu acabar com suas folhas sulfite ou por salvar milhares de desenhos de bonequinhos feitos no Paint em seu computador. Eu queria que voltasse o tempo em que ele me buscava na escola quando meu avô ou minha mãe não podiam e me levava para ajudar a lavar o carro depois de pegar a poeira da estrada, de brigar com ele quando misturava meus lápis coloridos da escola com aqueles que eu usava pra pintar em casa, de brincar de tocar aquele violão que ele tinha, sentia falta de que ele me consolasse quando eu chorava descontroladamente, talvez como agora, quando escrevo isto.

Sentia falta até da saudade, mas do tipo de que saudade que eu sabia que não demoraria a passar, que era genuína sim, mas menos duradoura que agora, quando eu não podia reviver cada um desses momentos... Eu sentia falta? Não, eu ainda sinto, pois eu ainda posso lembrar.

Lembranças perfeitas de um dia em que caí da escada, cortei a cabeça. Mas era ele quem estava lá comigo, agindo desesperadamente para tentar me acalmar e avisar a família do que havia ocorrido. Foi um herói e tanto, principalmente sabendo que teria de fazer qualquer coisa para que eu não visse o sangue que aparecia, pois o resultado poderia ser muito pior: um desmaio. Em segundos, todo o sangue viraria ketchup do McDonald's, lembra?

Lembranças perfeitas dos presentes de aniversários e natais, tudo sempre do jeito que eu mais queria, nunca medindo esforços para realizar meus sonhos. Mas, e agora? Agora ele tinha que estar aqui... Eu estava debutando, e ele tão longe de mim, sem nem ao menos poder ver o meu vestido, sem poder dançar a valsa comigo, sem poder me abraçar para me dar um feliz aniversário. Ainda, no fundo do coração, eu tinha esperanças de que ele aparecesse, mesmo sabendo que era quase impossível essa ideia tomar forma.

Não foi. Quando vi aquele vídeo seu na retrospectiva, você chegou à festa. Chegou para ficar todo o tempo, porque tomou um coração emocionado de saudade e de felicidade por estar mais perto, por saber que, fosse onde fosse, você sempre estaria comigo.



Hoje é mais um desses 16 de junho. Hoje é mais um aniversário seu. Hoje é mais um dia que tem você como dono e que você pode fazer qualquer pedido. O meu é único: que você saiba que, apesar das milhas e milhas que nos separam, você será sempre minha referência, meu exemplo, minha família, meu tio e padrinho. Onde quer que esteja, que na sua mala você leve amor, pra que possa senti-lo a cada novo passo que der...

Amo você, Du! E parabéns!

Larissa Mariano

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