Após

Foto: Arquivo Pessoal
Um Dia Após o Outro by Tiago Iorc on Grooveshark
Sinto como se eu fosse exatamente as peças que estão descritas na música. Exatamente como eu as imagino e como peças destes brinquedos costumam ser: versáteis, com suas faces montáveis, desmontáveis, com relevo ou sem. Tudo depende da escolha de quem brinca, dos sonhos que almeja construir.

E, quando finalizado, tira aquela foto orgulhosa do brinquedo novo. Me sentia assim, acabada. Jamais no sentido de destruída - muito pelo contrário, meu âmago tinha ares de conclusão pacata.

Descobri que não. Que era a vida quem brincava com as pecinhas do destino. Eu oriento, ela executa. E ainda haviam inúmeras possibilidades de me reinventar naquela mesma brincadeira.

Ainda ia destruir a minha torre e descer ao chão, ainda ia pisar os pés em terra firme e recomeçar, mesmo que cada rajada de destruição pareça infindável. Vou lhe contar um segredo: Nenhuma delas é. As brincadeiras se renovam, os sonhos são outros, os dias já arrancaram folhas do calendário.

Mas você continua a se sentir livre, ainda pode voar imaginando seus sonhos. Foi por isso que, mesmo crescida, decidi por em bagagens leves cada experiência que me marque em cada voo, embora ainda nenhum deles esteja planejado.

Desenho exatamente a leveza, o deixar ir e se prender somente ao que vale a pena. Ao viver dos sonhos que se encontram fervilhando dentro do coração, às palavras que correm nas veias e que explodem em punho.

Foto: Arquivo Pessoal

Estes balões sequer estouram. O gás é de fé e de esperança. De acreditar em corrigir os erros e alcançar cada objetivo por mais alto que seja. Levada pelo vento, guiada pelo tempo. Pelo após de cada agora, por cada página de história e narrada a inúmeros corações - excelentes ouvintes, tenho que dizer.

E, mesmo com tanto dia seguinte, com tanto após, com tanto futuro pela frente, cada um deles ainda é agora. Cada peça de construção é refletida ao longo do caminho, você vai se lembrar. Vai se lembrar que a brincadeira não acaba, que ela não parou nunca. Você apenas se esqueceu de brincar com a vida durante longos anos.

Achou que tudo sabia, que a realidade era dessa frieza tamanha. E quão mentira eram, então, teus sonhos infantis? Quem sonha, quando pequeno, o faz para ensinar. Explica, conta, planeja.

Quando cresce, o faz para aprender: aprender a ser aquele que sabia montar as peças e seguir, aquele que olhou para as peças montadas com orgulho e que, hoje, sabe que sua maior construção é a própria vida, cimentada pelos sonhos que ninguém destrói se você souber, de pronto, recomeçar após.

Larissa Mariano

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