Revista, jornalista, conquista

A matéria na edição 33 da Revista Incluir

As três palavras rimam e eu também passei a achar que se completam muito fortemente. Há alguns meses atrás, reencontrei no Instagram, por uma surpresa maravilhosa, a mesma jornalista que contou minha história na primeira edição da Revista Incluir. Lembro direitinho do dia em que fui entrevistada, fotografada e contei que o meu sonho de carreira era ser jornalista.

Neste nosso reencontro, não tardou a oportunidade: ela logo me convidou para escrever uma matéria sobre mim para a edição de número 33 da revista. Fiquei emocionada e jamais pensei em recusar. Era uma revista que eu acompanhava, que eu sei exatamente da vontade de realmente incluir as pessoas com deficiência, da iniciativa linda que tem.

Anteontem eu vi o resultado: era mesmo verdade, eu estava, com minhas próprias palavras, naquelas páginas. Qualquer coisa que eu quisesse dizer era impossível perto da gratidão e emoção que eu sentia. Abri, li e comecei, quando nesta página 88, a ler a mesma Larissa Mariano que eu sou desde sempre, mas redescoberta pelo sonho concretizado: o de ser jornalista.

Um passo para a liberdade

"Sua vida é uma oportunidade". Essa frase, que eu disse aos dois anos de idade, encontro agora registrada num álbum antigo. Apesar de ser dirigida à minha tia, as mesmas palavras descreveram o modo como busquei encarar minha própria vida. Hoje, já aos 19 anos, sou estudante de jornalismo e tenho paralisia cerebral. Cheia de sonhos, escritos e histórias pra contar.

Cada oportunidade dessas se inicia com uma escolha: a partir dali, eu escolhia viver. Mesmo que isso significasse nascer com 810 gramas de peso e 33 centímetros de tamanho. Mesmo sendo a mais fraca entre as duas gêmeas - eu e minha irmã, Samantha - e, ainda assim, perdê-la aos 23 dias. Passei por três meses de UTI e sete paradas cardiorrespiratórias. Fui reanimada pelos polegares dos médicos, de tão pequena que era e, semanas antes de sair do hospital, contraí uma infecção hospitalar grave e minha expectativa de vida era de apenas uma semana. Em todos esses episódios, o importante era acreditar.

Sair do hospital exigia pouco contato com pessoas e muitos cuidados. Aos oito meses, eu ainda não engatinhava e nem ensaiava os primeiros passos. Tudo isso se devia ao diagnóstico que acabava de chegar: paralisia cerebral, causada pela falta de oxigenação no cérebro.

Comecei a fisioterapia e, com um ano de idade, passei a frequentar a AACD. Cada pequeno movimento novo era uma comemoração. Sentar, movimentar as mãos, ter equilíbrio e independências são conquistas que devo aos tratamentos que fiz, desde fisio, fisio aquática e terapia ocupacional até musicoterapia.

Com toda a reabilitação, desenvolvi muito. Aprendi. Com estímulo e paciência, consegui os primeiros passos num andador ortopédico aos cinco anos. Nos primeiros treinamentos, eu tremia de medo, queria parar. Tempos depois se tornaria quase um melhor amigo, que me acompanharia em casa, na escola e onde quer que eu fosse, porque me levaria até lá (...)".

Me levaria até a metade deste texto, que aqui não concluo porque falta o toque, a presença nítida. Aqui não concluo porque folhear aquelas páginas e olhar as fotografias é penetrar uma alma, mais escrita que um papel em branco, mas menos preenchida que uma vida inteira.


PS: Aos que me perguntaram, a Revista Incluir, onde consta também a íntegra, pode ser adquirida neste link aqui: Incluir 033. Vale muito a pena conferir todas as matérias, escritas tão lindamente.

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Aproveito para sempre agradecer pelo carinho e deixar um beijo grande,

Larissa Mariano

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