Laços: Uma história que se completa pelos meios

Foto: Arquivo Pessoal / Instagram


É tão bom quando a vida nos surpreende de modo tão feliz, não é? E foi bem assim que aconteceu. De uma história longa que eu conhecia, surgiu uma grata surpresa. Reencontrei o que nunca tinha encontrado em presença antes - mas em alma e coração estou certa de que nunca deixei: minha irmã, Marianna!

Mari, Lari... Apelidos que rimam, histórias que cruzam, laços que completam e reforçam. Reforçam a certeza de que, agora, é só amor pra todo o sempre. Quando eu recebi as primeiras mensagens, quando eu soube que iria vê-la pela primeira vez, quando entendi que tudo era real, deixei a felicidade me tomar por completo. Quando deixei me envolver pelo abraço, percebi que algo no mundo sempre nos manteve abraçadas durante esses vinte anos de distância.

Distância relativa, se posso assim dizer. É que, desde que nos reencontramos (agora vou usar sempre o 'reencontrar'), não senti nenhuma barreira entre nós duas. Pelo contrário, mil gostos, fatos e fases nos conectam. E nos fazem mais perto, mais dentro, mais juntas que nunca.

Quando ela chegou, não nego que o coração bateu mais forte, que a emoção gritou mais alto, que o interior de mim só externou o que sempre soube. Quando ela chegou, fez-se completar onde sempre coube - e transbordou ao que sempre conheceu. Transbordamos e constatamos, agora juntas, que duas décadas não vencem aquilo que se constrói com a vontade de ser atemporal.

Por isso, esse texto é para ela. Pra você, Mari, que no reencontro das nossas vidas me mostrou que esse lugar "que só a gente conhece", assim como diz a música, sempre esteve acessível a nós.

"Em certos momentos, tudo o que precisamos é não perder a fé. No fim, tudo se ajeita. No fim, a gente consegue encontrar aquela peça que faltava no jogo que a gente começa a construir a partir do momento que chega ao mundo: a vida.

Quando a primeira peça se coloca, a gente aprende o significado dos gestos, das presenças, das palavras e das ausências também. Lacunas, que vão do branco ao preencher colorido de se juntar às outras peças pelo caminho.

Uma, duas, três - ou milhares de vezes. Os pensamentos não se desviam e a dedicação não se esvai: o esforço em encontrar a peça que complete o quadro de felicidade não acaba, mesmo que a gente não encontre logo nos primeiros dias.

Eles passam como vento: voando e levando aquilo que não vale a pena. O leve demais para marcar e pesado demais para carregar por onde quer que estejamos. Esse sim é que os ventos da alma carregam um dia: não tarda, aviso.

Mas a gente vive. Sorri, chora, acredita, conta história. Faz da fantasia realidade - que morou ao lado o tempo todo da vida. E pensa, procura, insiste, ama a busca e a bússola que norteia e palpita simultaneamente: afinal, bons corações não perdem tempo e nos guiam pelas incertezas.

Nada é mais certo que encontrar. Que encaixar e entender. Nada é mais certo que o tempo certo: aquele que passou - mas para e se pode fazer repetir, reviver, 're'amar e até renascer para o mundo das peças coloridas.

No fim, a figura se completa. Sobre o fim, a gente descobre que ele é só o começo de uma infinidade de admiração, contemplação pela conquista ganha. O fim é o começo de quem se põe disponível a viver o novo e recriar o próprio tempo. No fim, há amor. No fim, há. E, se existir, faz parte ❤️

Larissa Mariano

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