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Abria os olhos pela primeira vez. Talvez, ela achava, renascesse dia após dia. Em cada um deles, algumas preocupações morriam e algumas felicidades serviam de preenchimento ao coração. Esse, ela nunca deixava vazio. Tinha amores. E, se lhe perguntassem, como ela via estampados em alguns lugares "quantos amores eternos já teve?", ela responderia: todos. Sempre amou eternamente, porque sempre demorou para amar, embora amasse fortemente.

Não era de poucos amores, também. Amor nunca é pouco, ela sabia. Era amada e amava: amigos, família, os que a queriam bem. Amava, mas não via. O espelho de sua alma por vezes embaçou-se em preocupações próprias, em embaraços vívidos, em confusões mentais que faziam barulho e desorganizavam a vida.

Pouco a pouco, ela dava um jeito. A cada passo, firme ou trôpego que fosse, ela se deparava com as folhas em branco do destino. Preparou-se, pôs sua caneta a punho e escreveu as ideias de sua própria história. Não roteirizou a vida, mas escreveu-a para um espetáculo de começos, meios e afins. Não fins. Ela não se terminava, apenas se determinava a seguir preenchendo as folhas sem pauta.

Era torto, não tinha noção de deixar-se nas linhas. Quando percebia, teus preceitos estavam desnivelados, mas inteiros. Sempre arrumou meios para ser, algum dia, inteiramente ela mesma. Era um pouco dos ensinamentos de cada um. Errava, mas ia contando quantos acertos fazia. Os erros, não apagava. Escrevia à tinta.

Passado incorrigível? De maneira alguma. Apenas lembranças que faziam importância. Os borrões de antigamente já haviam sido levados. Escritora de si, escreveu-se. Poetisa dela mesma, rimou-se com a vida. Combinou que, por onde sorrisse, também encontraria sorrisos. Pintou a própria existência.

Na prematuridade de seu tempo certo, gostou do que viu. E via a si mesma, sorrindo pra vida, trocando felicidades com os sonhos que a faziam existir.

Larissa Mariano

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