Adentro.

Foto: Pixabay


Não sei de onde vêm. São ímpeto, impulso. Rasgam o peito, incineram as certezas num calor amoroso e plantam as dúvidas no lugar. E gosto. Gosto quando aquecem, quando queimam, quando sabem exatamente o momento de se por. Gosto de como são culpa minha, de como se provam frutos doces das amarguras ansiosas de um íntimo bagunçado. Gosto de como se impõem. De como sabem o que querem e de como batem os pés para serem gritadas aos sussurros para meu mundo interior inteiro poder ouvir.

Gosto de me verem como lar, de plantarem suas manias, seus traços fortes e seus melódicos silêncios enquanto pensam coisa qualquer. Gosto de como me seguram pelo punho e me guiam por esse mundo  afora. Gosto de como incomodam os meus sentidos. De como me "borboletam" o estômago na ansiedade e me derramam as lágrimas que guardo para ter a certeza de que vou chorar silenciosamente para lavar os pátios da alma vez por todas.

Gosto de como têm seu sabor e sua insipidez quase incomestível quando amarguram as portas do coração. Gosto de como adormecem fazendo barulho, bloqueando saídas, querendo ficar sem serem vistas. Mas gosto de quando têm confiança em si mesmas e saem para esvoaçar suas amorosidades aos quatro ventos que lhe forem cabíveis e merecedores. Gosto de como pintam-se do nada, brotam nos meus férteis "de repentes", mas longe dos acasos.

Gosto de como pulsam e sangram amor a fim de estancar corações que se machucam e ainda assim creem num amanhã melhor. Gosto de como se guiam sem ver e vão longe sem tatear, seguem como querem e como acham que devem. Gosto de como acariciam suavemente as almas que as acolhem, mas gosto também de como sabem dar boas surras quando palmadas letradas de ensinamentos repetidos se fazem necessárias.

Gosto de quando apanham, de quando se gastam e se fazem velhas de ditas repetida e igualmente: relíquias internas, intensas, imensas e anteriores aos mundos próprios. Gosto de quando são incompreensivelmente compreensíveis, de como agregam as desvarias de quem se enlouquece a traçar rotas mundo adentro. Gosto de quando as vejo cheias de vazios - e que cada um as complete no entendimento único. Lacunas que têm em si o privilégio de ver sua plenitude pacífica oscilar entre tudos e nadas, entre risos e lágrimas, entre opostos que são tão próximos a ponto de se completar perfeitamente.

Gosto de quando vêm para colorir, mas também para pintar de cinza. De quando o monocromático vem para demonstrar os tons, as nuances, os sons, os jeitos, os dons. Gosto de quando são dotadas e o sabem, de quando chegam cheias de convicções e vão se fixando, se ficando. Gosto de como cumprem o papel de ser o que são: palavras. Tão pertencentes a mim e a quem consigo deixar ver. Se lê isto e é dos que conseguem compreender, bem vindo ao lar. À casa que faço de alma por enquanto. Bem vindo ao que espero de ti que me entendes no íntimo enquanto brinca com minhas palavras: permaneSER.

Larissa Mariano

Um comentário:

  1. como nao tinha vista um texto tão completo..unico e perfeito....!!! Tocante na alma....

    ResponderExcluir