relíquia

Foto: Instagram / Arquivo Pessoal

Me dei conta de que já se passaram dez anos. Dez anos desde que dei o último tchau àqueles que ainda encontrei - e aos quais meu coração cumprimentará todos os dias porque não gosta de afastar daquilo que tanto fez bem.

E, mesmo em dez anos, eu consigo me lembrar. Lembrar que eu era uma criança que precisava ir além dos próprios limites e estudar em uma escola "normal". E agradeço tanto. Mesmo precisando subir escadas, cada um daqueles degraus me fez crescer na vida.

Eu chorei com a primeira nota vermelha, já liguei desesperada pros amigos pra saber o que era pra fazer na lição de casa que eu não tinha anotado por sair mais cedo. Eu já levantei da minha carteira e fui sentar ao lado dos professores pra vê-los corrigir provas. Já inventei coreografias malucas com as amigas me pegando no colo. Já fui a melhor na educação física que todo mundo fazia engatinhando e já fui a pior pra fazer um gol - que possivelmente tenha sido o mais comemorado quando levei um impulso da amiga nos pés e o goleiro me deixou fazer aquilo totalmente de graça.

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Eu realizei sonhos, chorei de medo, contei com os meus amigos. Já quis sentar no "fundão" do ônibus e já fiz meus amigos "sentarem de três" comigo bem na frente. Já dividi lanche, segredo e coisas tão bobas que eu achava que só minhas amigas poderiam saber. Já levei amigas pra dormir em casa e já fiquei até de madrugada conversando sobre coisas que nos pareciam tão maduras na nossa maturidade de no máximo uns onze anos.

Que bom. Que bom que eu dancei valsa errando, que eu não sabia fazer uma linha reta sem entortar um pouco e muito menos uma escultura de sabonete de glicerina sozinha. Que bom que eu aprendi. Aprendi que eu podia fazer tudo, tudo mesmo.

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Que bom correr no colo das amigas pra pegar lugar mais cedo na sala de dança (conhecendo os "caminhos secretos" que a gente conhecia). Que bom ficar o dia inteiro no colégio e ainda ter assunto pra parar a linha de telefone por umas duas horas enquanto estávamos em casa. Que bom ter amigas que te pediam desde conselhos até faixas de cabelo. Que bom ter amigos tão únicos quanto sempre foram.

Eu chorei tanto, ri tanto, cresci tanto. Vivi os melhores momentos da minha vida. Já fui pra escola no horário errado e fiquei conversando pra esperar o início da aula, esqueci a mochila e também já fiquei horas dentro do ônibus escolar apostando jogo da cobrinha esperando conserto quando quebrava.

Já passei mal nas aulas - sim, não falem de sangue pra mim, obrigada! Já fiz clubinho das amigas e já morri de medo dos bichos que tinham no colégio (as cabras que roubavam nosso lanche se a gente descuidasse hahaha).

Já ralei o joelho, chorei pra caramba e comecei a rir do nada porque alguém contou uma piada e eu esqueci da dor. Já dormi na casa dos amigos pra estudar e já fiquei triste por não entender matemática. Já amei as feiras culturais, mesmo modelando argila de um jeito completamente errado. Já levei bronca por conversar nas aulas e bilhete pra casa também. Já fiz lição no ônibus porque não tinha sobrado tempo no meu dia. Já fiz amigos meus ficarem na sala de aula até o fim pra anotar as lições pra mim.

Sei o telefone das minhas amigas de cor até hoje - as que não mudaram. Já pedi pra me ajudarem a escolher o primeiro celular - e hoje falam comigo no WhatsApp. Já dei abraços e tapinhas, já brinquei de "ai" e já me senti o máximo por usar um walkie talkie da Barbie no ônibus da escola.

Eu já corri dando a mão pros amigos, já caí e deixei todo mundo preocupado, já fiquei com medo por umas brincadeiras que inventavam - e que a gente sempre ria no fim.

Já fui feliz - e assim permaneço. Obrigada por me ensinarem que ser criança não é necessariamente um sinônimo de ser pequeno. Fui o maior possível com cada um de vocês ao meu lado!

Larissa Mariano

3 comentários:

  1. Deambulei por aqui.

    E, desejo felicidades.
    MANUEL

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    1. Muito obrigada, Manuel! Fico muito feliz pela visita, passe sempre que quiser. Lhe desejo muitas felicidades também!

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  2. Deambulei por aqui.

    E, desejo felicidades.
    MANUEL

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