(re)caminhos.


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O mundo é patamar de incontáveis estrelas, para onde nós sempre imaginamos alçar voo. Alcançá-las. Pegá-las nas mãos feitas em conchas, para segurarmos todas as gotas daquele brilho tão raro que sempre admiramos de longe.

Quando pisamos de volta às terras onde fortalecemos raízes, encontramos fins e começos. Finas linhas tênues entre cada parte do ciclo. Começar e terminar, embora em tantas diferenças, cenas tão particularmente ligadas pela alma que o tempo reserva misteriosamente. Começamos e não sabemos o fim. Terminamos, talvez sem saber como recomeçar.

Os recomeços sorriem. A gente deita pra ver estrelas, mas fecha os olhos. Sente. Sente-se. Talvez eu comece a lhe escrever uma história cujos rumos eu também ainda não saiba. Alma velha a minha... Se encanta ao som de vitrolas, vinis e teclas de piano. Embora meus pés não saibam muito bem, finjo que seguro a mão para uma valsa. É a alma quem dança. Poesia.

Estremeço. A lotar de apreço, aprecio o que preço nenhum pagaria. Planos, metas, descobertas, vidas e tempo. E laços e lembranças e momentos. E ventos. Daqueles que nos sopram um frio que aquiesce, quase aquece. Que nos incomodam no melhor sentido da palavra. Que nos movem.

A mover como estrelas, que nossos olhos não fixam. Quem vê comigo o que o futuro reserva? Quem sabe, sem pressa, a gente chegue mais a tempo? É que talvez dê tempo de olhar pros detalhes, pras coisas que nossos olhos, mais uma vez, não fixaram no meio do caminho. E os caminhos nos levam de volta.

Começo, fim, recomeço. Retorno, volver, voar. É leveza nossa fazer o que queremos. É certeza e ousadia. É mente e, de novo, poesia. É convergência. E que seja. Por onde houver um céu de estrelas, nós pisaremos em luz. Caminhos iluminados, resultados brilhantes. E finais de aplausos. Não deixe fechar as cortinas. As estrelas brilham com transparência — exatamente para que sempre vejamos horizontes de começos infinitos, para aquelas trilhas tão boas que escolhemos estender pelos futuros da eternidade.

Larissa Mariano

3 comentários:

  1. Palavras bem escolhidas, que só uma pessoa que verdadeiramente carrega em suas veias a paixão pela poesia - que é sentir - seria apto. A esperança que não morre. Embora às vezes tende a ser ofuscada, como quando as nuvens oculta o brilho do luar. A (in)certeza que teremos outro dias para assim sermos menos errante. A redenção tão sonhada pelo homem. Talvez as estrelas estejam lá para que possa ser apenas apreciada. Intocável. Sorte nossa o homem não possui-la. Enquanto isso, mesmo que de longe, somos encantados com esse ser resplandecente. Enfim, aprecio-te.

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    1. Finalmente, depois de dias, venho escrever-te de volta. Apesar de, desde sempre, eu saber que és consciente do tanto que meu coração se alegra ao ler palavras tão lindas - mesmo que eu não tenha a certeza de merecê-las tanto assim. Obrigada por tudo, só posso agradecer por dizer luz quem tanto sempre ressaltei que era solar e irradiante nos meus caminhos e nos de quem cruzasse na vida (sou sempre grata por essa sorte incrível, mas que sempre acredito que nós escolhemos, todos os dias). Obrigada por escolher a permanência e por trazer as estrelas para mais perto do coração com essa luz tão perceptível e grandiosa. Aprecio-te, fazendo da recíproca a mais verdadeira sobre as quais já disse.

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