nascedouro.

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O amor é nascedouro. É parto de choro pungente que lava a alma. É dor latente que expulsa os medos e aparta, acalma. O amor é a verdade. Da nudez, a ingenuidade, do coração, alimento, da vida, a razão. O amor é umbilical, oblíquo. O amor é a inexatidão de possuir certezas únicas que se geram. O amor é gestação.

Amor é, estação a estação, cuidar-se dos frios que assolam o peito. Dos calores que tomam o tempo, dos frutos maduros que caem ao chão. O amor é nascimento, é busca do peito, é alento, é sucção de alimento, é partilha, nutrição.

O amor é toque leve, pele a pele, contração. O amor é poesia, é revés, taquicardia, é pulsar de coração. O amor é tão pequeno, é semente a ver crescendo, plantio que nasce do chão. Amor tem cheiro de terra, quem cultiva, quem venera e quem cuida, plantação.

O amor é fecundo. É benigno, profundo. O amor é sensação. O amor é a mãe de todas as coisas, o filho de todas as causas e o pai de toda geração. O amor é o primeiro olhar, é o crescimento. O amor é a dor de partir e o prazer de partilhar. 

O amor é sono interrompido, noite maldormida, canção de ninar. Amor é aconchego de colo, requer solo puro para germinar. O amor é cada segundo de tempo, é realejo de sorte, bilhete para guardar.

Amor é caligrafia caprichada, papel em branco, calçada para caminhar. O amor é beijo carinhoso, é abraço afetuoso, é descanso com gosto de lar. O amor é bagunça, renúncia, o amor é educar. O amor é abecedário, é lição, vocabulário, educandário do multiplicar.

Amor é choro, riso, troca, carinho. Amor é doença e cura. Amor é remédio, antídoto, veneno capaz de matar um vazio. Amor é preenchimento. Amor é sangue, força, jeito, gesto. O amor é secular.

Amor é a lâmpada no meio da noite, os pés descalços seguros de um chão. O amor é o cansaço, o amor é o berço de velar o sonho. O amor é fronha de deitar a mente, descansar os pensamentos, de abraçar o amanhã.

Amor é cuidar do futuro, é velar o nascituro, aninhar, é proteção. O amor é a lembrança, a imagem, a distância, ansiedade e aflição. O amor é prematuro, é frágil porto seguro, é vento e embarcação.

Amor é ponto de partida. É leme, volante, guidão. É a direção da vida, é pústula de ferida, é elixir e poção. Amor é lágrima, água. É pedido e oração. Amor é palavra não dita, é silêncio proferido, passear na multidão.

Amor é olhar direcionado, coração aberto. Amor é enxergar de alma, é equilíbrio. O amor é o primeiro passo, o engatinhar da emoção. O amor é manta que aquece, o perdão que esquece,  a saudade que tece. O amor nasce. O amor espera. O amor suporta, o amor supera.

O amor é a dança na ponta dos pés. É a música da alma, de arabesques a pliés. O amor é leve, é verve, vivacidade e torpor. É a música que conduz, a luz que guia, o aplauso que encerra.

Amor é espetáculo, cena, roteiro e direção. O amor é natureza, cachoeira e riacho, queda d'água, poço e vazão. O amor é margem, espaço, compasso, dimensão.

Amor é ato, laço, começo e fim. O amor é a chegada, o fim da estrada, o encerrar e o estopim. O amor é a criança, a pureza, a doçura. O amor é a partitura que desaprendi a tocar. A melodia que entremeia meus dedos e me faz dançar pelas palavras, analisar.

O amor é nascedouro. É pedra bruta. Lapidada e nascida. Nova vida. O amor é nascedouro, nascer do ouro e, no interno tesouro, aprender a brilhar.

Larissa Mariano



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