notte.

Pixabay


Estou quase fechando os olhos. Não me lembro se essa música era boa de fazer dormir. Sei que, enquanto ela toca nos meus fones, eu sonho. Assim, acordada mesmo. Das poucas vezes que escrevo assumindo-me aqui do outro lado, eu sonho. 

Eu sonho com as possibilidades. Quando o dia raiar por detrás das minhas cortinas, o que vou ver? Sonho com as vistas do voo, da verdade, do crescer que sinto que tem feito morada por aqui ultimamente. Sonho com referências do que conheço, sonho esperando que sonhar não conheça fim.

Afinal, não conheço mais finais. Há tempos não escrevo um ponto sem que ele se continue em mil outras ideias que se desdobram infinitas do coração à cabeça, sem que as palavras se reorganizem sozinhas, decidindo o que querem dizer para mim.

Embalada pelas notas que tocam suaves, eu desperto. A melodia acelera, meus dedos seguem o ritmo. Correm as teclas e buscam sentido. Sonhar é urgente, sonhar é agora.

Fazer começa. A gente confessa que, de verdade, nunca sonhou pequeno. Afinal, ninguém foi tão pequeno que não tenha desejado ser grande algum dia. “Gente grande”, pensam as crianças. 

E nenhum adulto terá sido tão imenso que, por um dia se quer, não tenha lhe ocorrido a vontade de diminuir os problemas e parar para reparar as cores do caminho. Azuis. Mas os céus sobre a cabeça já haviam acinzentado sem notar…

Eles disseram, despretensiosamente, que a noite era uma criança. Percebo, durante essa noite que arrasta seus segundos junto às minhas palavras, que é preciso um imenso grau de amadurecimento para perceber a verdade nas palavras ditas. É preciso ser tão criança quanto talvez nem nos lembremos do quão infantil tenha sido nosso olhar um dia.

A noite é uma criança. É hora de criança dormir. É. E que sorte. Eles são os que levantarão mais cedo a perceber que o sonho não é de dormir, é despertar de feitura, de realizar e de prosseguir. Sonhando. Hoje. Agora. Sempre. 

Larissa Mariano

2 comentários: