vista.

 
Fonte: Arquivo pessoal


Ao som de: Saturn — Sleeping at Last

Tenho consideráveis 3,5 e 3,75 graus de miopia. Esquerdo e direito, respectivamente, caso isso seja um detalhe tão relevante quanto a mensuração do tanto que consigo enxergar.

Obviamente, uso óculos. Inclusive, provavelmente não poderia escrever quaisquer palavras destas que me vêm na madrugada caso eles não estivessem ao meu alcance.

Escrevo com alma e, de modo muito clichê talvez, ouvi dizer que “os olhos são as janelas da alma”. Talvez concorde — e veja pouco. Vejo pouco porque preciso de toda a nitidez possível, todo o amparo possível para enxergar minha alma própria. Preciso de coisa qualquer que funcione como lupa para me aproximar às cores mais vivas, aos detalhes mais nítidos.

Detalhes que sou incapaz de ver se minhas lentes corretoras não repousam algum tempo sobre meus olhos. Veem mais de perto, de outro jeito, qualquer ângulo que escolham ser. Mais que enxergar, ver.

Ver com percepção, com tato, com sentimento, com alma, com luz. Com tudo que rodeia, que conduz palavra, que tateia verso, que exprime pouco do que se é além dos óculos, dos graus de miopia e da ocasional falta de equilíbrio.

O que se é, comparado ao que se vê? Como se descreve a vista a quem fecha os olhos? Como se vê pela alma enquanto as janelas não se abrem? Como se imagina? Dê-se mais alma, mais olhos além do físico, mais janelas e mais ângulos. Abra possibilidades, busque, mantenha.

Veja. E, enquanto vês com a alma, fotografas — e, de sorte, grafas — de amor inteiro ao coração.

Larissa Mariano

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