vinte avante.

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Ao som de: Fight Song - Rachel Platten

É tanto tempo, é tanto. Quanto tempo faz? Quanto tempo faz que chegou? Lembro só que eu assoprei as velas. Dezoito. Dezenove. Vinte. Sinto-me ainda pequena, quando fazia aniversários e todo mundo da família enchia milhares de bexigas para eu brincar em meio a elas. Quando foi que elas estouraram? Quando foi que a brincadeira mudou?

Como é quando a gente passa a brincar de vida adulta? É que às vezes eu paro e penso: será que eu já mudei? Será que eu sou adulta agora? Busco meu RG. 30/11/1995. Vinte anos, quase vinte e um. Adulta? Mas e essa foto de criança?

Ok. Quase concluindo a faculdade. Mas e alguém perguntando em que série você está? Próprias contas, talvez? Check. Ir sozinha a algum lugar? Feito. O que é que me define “adulta”? Passei dos dezoito, saí do colégio. Não dirijo, não bebo, não fumo. Então, o que é que, aos vinte, me faz adulta?

Como é que a gente se sente quando cresce? Existe um start na cabeça que diz: “bom, você mudou?” Aqui ele não chegou, mas também sinto que não sou menos adulta por isso. Acho que cresço internamente. Dia a dia. No trabalho, na faculdade, em casa, tendo que fazer coisas que eu nunca fiz.

Lembro sempre de todos os adultos ao meu redor dizendo: “a vida de adulto não é fácil” e não é. Mas não é via de regra acertar tudo, ter sucesso em tudo. Não é obrigatório saber todas as experiências e, por mais dolorido que seja, é permitido errar. Não se prive. Nem do erro, nem da consequência, nem das fases inerentes à vida.

Sabe quando a gente ensaia os primeiros passos? Pois é, eu lembro nitidamente. Talvez nem faça tanto tempo. É que, também talvez, os passos que a gente dê sempre sejam os primeiros. E a gente nunca consegue saber o que há depois. Como a maioria de nós ouvir quando era menor, “o futuro é uma astronave que tentamos pilotar”. Desliguem os pilotos automáticos. Guiem.

A gente não nasce sabendo mas, no fundo, sempre tivemos o mesmo sonho: voar muito alto, rumo às maiores realizações que pudermos imaginar pra vida. É por isso que, do nem tão alto do meu 1,47 m, ainda enxergo crescer: acho que a gente, mesmo adulto, não aprendeu onde fica o fim do mundo pra não desaprender a sonhar, pra não esquecer nunca que sempre podemos ser maiores — e melhores todos os dias.

Larissa Mariano

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