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Foto: ONG Reviva

Trabalho: no dicionário, "conjunto de atividades produtivas ou criativas, que o homem exerce para atingir determinado fim". Voluntário: "que não é forçado, que só depende da vontade; espontâneo". Unindo-se os dois verbetes, o fim que se busca no trabalho voluntário é o de fazer sorrir a alma de alguém. Trabalhar voluntariamente é abrir-se às profundidades e intensidades de todo sentimento.

Do amor, da gratidão, da força, do estímulo, do progresso. Ser voluntário é doar uma parte do tempo que se gastou aprendendo algo para que se tenha espaço de aprender com o outro. É ganhar oportunidades que, tão despretensiosamente quanto doamos aquilo que podemos, surgem no caminho. É andar a olhos atentos, pronto para nunca saber o que vai encontrar.

É abrir mais os olhos e atentar-se aos detalhes. É multiplicar o pouco para torná-lo substancialmente essencial à vida. É algo pelo qual o coração anseia sem saber, de pronto, os porquês. As razões, a gente só entende quando permitimos que elas invadam e nos toquem no íntimo: dos abraços, sorrisos aos gestos gratos que não precisam de palavra sequer. Ao final de cada trabalho, saímos ainda mais gratos pelas experiências sublimes que colecionamos.

Se trabalhar com o coração tem algum tipo de valor? Todos, poderia destacar. Do material, a ressignificação: uma necessidade que só vai ao limite do essencial. Do interior, o conhecimento ávido por ser compartilhado. Do coração, um amor que quer ser reconhecido e posto em prática com reciprocidade.

Neste trabalhar diário, a lacuna é moeda de troca. O que há em mim que eu precise preencher? Que há no outro de faltas onde eu possa somar? Como se fecha a sua conta? Doar o seu tempo, o seu trabalho, a sua disposição e a sua contribuição com as necessidades do outro começa por dentro, começa por um passo que ninguém pode dar senão você mesmo: o início.

Que, de toda experiência que nos aguarda, sejamos razoáveis e aceitemos, vez por tudo, que a única a que precisamos nos render é a de começar. Tudo é começo para quem sonha — e pratica — sem fim.

Larissa Mariano

Texto escrito para a ONG Reviva (http://reviva.org.br), para a coluna Textos de Quinta.

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