verbo: amar.

Foto: ONG Reviva

Precisamos falar sobre amor. Precisamos porque o amor é o primeiro passo. É a base de tudo. Precisamos falar sobre amor porque, de base, a gente pode entender por preenchimento, por alento, por verdade. O amor é o alimento da alma. Aquilo que nutre, que mantém, que busca e que, ao mesmo tempo, conscientiza da vida. O amor faz viver.

E a gente precisa mesmo falar de amor. Porque o amor não necessariamente precisa ser romantizado, mas pode ser apaixonado ainda assim. Afinal, por qual razão cabível nós não poderíamos ser perdidamente apaixonados pelo que fazemos? Não apenas podemos — devemos ser. É que o amor tem milhares de interpretações.

O amor é de uma universalidade tamanha, de um alcance possível de atingir a todo e qualquer coração do mundo. Da mesma forma que o amor se pauta por suas próprias decisões quando é vivo, acima de tudo é um sentimento de unir ideais e abraçar causas. E amá-las.

O amor, mais que tudo, é a realização expressa pelo amar. Amar é a realização, a atitude, o verbo. Amar é fazer, é modificar propósitos, agregar princípios, aprender e ensinar continuamente, certos de que nunca aprenderemos tudo: sempre, ao percebermos que a vida é um ciclo, existem renovações, mudanças de postura e atitudes, desejos ou sonhos que tiveram de esperar para acontecer.

Amar, desta maneira, é enxergar possibilidades. É entender que, deste lado de cá, sempre existe algo que possamos fazer. Que nos existe sempre algum trabalho, uma função não apenas útil a nós mesmos, que precisamos agir de alguma forma. Mas útil para quem se sente representado, abraçado e amado pelo que podemos realizar.

Pode parecer absolutamente redundante dizer que só quem ama tem o amor. Mas é exatamente o que quero dizer: "só quem ama tem o amor". Explico: é preciso que o amor seja sentido intimamente. E que, em retribuição, ele também sinta-se alimentado o suficiente para agir dentro de nós. Como escrevi certa vez, "o amor é a mãe de todas as coisas, o filho de todas as causas e o pai de toda geração". Veja, assim, que o amor nos é sempre familiar.

É amigo reconhecido de todo momento. E é preciso, precioso, necessário. Amar, ainda mais forte que o amor, é nossa primeira aplicação voluntária da vida. É que, por mais forte que seja o sentimento, por mais que quando o tenhamos ele escape da forma mais bonita, escolhemos que ele siga adiante. A vida nos oferece, de bom grado, todo amor do mundo. E nós só seremos recíprocos quando escolhermos passá-lo adiante, deixando que ele se reparta e vá instalar-se no coração de alguém que o precise. O amor é a partida livre que nos faz permanecer — e, acima de tudo, escolher ficar.

Larissa Mariano

Texto escrito para a ONG Reviva (http://reviva.org.br) para a coluna Textos de Quinta

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