reviva.

Foto: Marina Sampaio

Reviva. Talvez esse seja o imperativo mais amável dos verbos que eu conheça. Soa-me como um convite: a guardar as coisas positivas conosco e trabalhar para (re)viver, para modificar, de alguma forma, a nossa realidade interior quando voltarmos nosso olhar a quem nos clama: o outro. É este convite que, hoje, eu aceito com todo amor do mundo. Essa oportunidade, desafio novo que surge em minha vida.

De alguma forma os coleciono. Na história que conto desses 21 anos de vida, os desafios foram frequentes. Prematura, 5 meses e meio de gestação e gêmea por apenas 23 dias: minha irmã, Samantha, tinha ido embora bastante cedo. Por várias paradas cardíacas na conta (foram sete ao todo), recebi um diagnóstico aos oito meses: paralisia cerebral.

E, embora o nome realmente nos paralise e deixe preocupados por algum momento, a ordem expressa era de não parar, nunca. De lutar, fazer fisioterapia, ganhar independência, aprender a fazer aquilo que era de praxe em uma "vida normal". Engatinhei depois de todo mundo, andei depois de todo mundo. Mas enxerguei que a vida tem seu próprio curso, que não somos capazes de alterar o tempo.

Mas, na persistência, alteramos os acontecimentos. Somos plenamente capazes de fazer com que o quase impossível se torne uma possibilidade concreta. A nós, basta fé e trabalho. Cresci, tive dificuldades em encontrar escolas (já que muitas negaram minha matrícula pela minha condição física, de andar com o auxílio de um andador e, posteriormente, de muletas), mas aprendi que a acolhida certeira se dá pelo sim que a gente diz, mesmo em meio às maiores dificuldades.

Cresci, aprendi, dei passos curtos, outros mais longos e outros mais curtos mais uma vez. Trilhei uma caminhada cheia de obstáculos, alguns tropeços, algumas quedas e um reerguer constante. Não era tudo fácil — mas a superação é vibrante. Nos enche os olhos de vontade de alcançar.

E digo isso porque sei que qualquer um supera. Todos nós temos limitações a transpor. Hoje, jornalista formada, escritora e muito amante das palavras, trabalho com mídias sociais. E ganho a oportunidade de fazê-lo tão jus ao termo: que essas mídias alcancem uma mobilização social. Voluntariar-se é, ao meu ver, doar um pouco de si para que a doação do outro te preencha.

Por isso, espero que este convite de reviver possa, por meio de algumas palavras e muitos desejos e ações escritos a cada linha, seja para cada um de nós. Que possamos ganhar momentos de refletir e dar, todas as vezes, um sentido novo à vida. Um sentido que sempre nos guie ao mesmo caminho: amar profundamente cada ação que realizamos.

Larissa Mariano

*Texto escrito para a ONG Reviva (http://reviva.org), para a coluna Textos de Quinta.

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