con(ser)quência

Foto: ONG Reviva

Seres da consequência: isso é exatamente o que somos. O que significa? Que somos seres com plena capacidade de entender que somos responsáveis pelas escolhas que fazemos e que, se dirigirmos o olhar um patamar acima, veremos que somos, além disso, frutos deles.

Que a gente consiga, vez por todas, entender que vivemos em meio a escolhas. Que ditamos os "sins" e "nãos" que acontecem ao nosso redor o tempo todo. Espero que consigamos entender que o agir externo não é involuntário: ele é apenas uma resposta ao nosso veredito. Escolher é a melhor forma de orientar a colheita.

E, de cada orientação que damos, tornamos nossas opções em ações concretas, que movem e dispõem os acontecimentos ao nosso redor. Nós, como donos da casa – e que nos pertence exatamente porque somos nós mesmos — é que definimos onde tudo vai ficar. Dizemos se tem espaço para o novo ou se está ocupado. Decidimos absolutamente tudo, desde o fazer prematuro até o passar do tempo.

Mas a gente sabe, apesar de tudo, que nunca é tarde. Que nunca é tarde para não insistir não insistir na escolha que talvez não tenha dado tão certo assim e rumar para outro caminho. A gente sabe. Sabe porque passou, de alguma maneira, pelo nosso crivo.

O fato de dizer isso não tem a ver com nos ausentarmos de nossas responsabilidades, mas sim de, muitas vezes, não tomarmos consciência de todas elas. De sentirmos a vontade de fazer algo por quem precisa no mundo e esperar que ele aja em prol da nossa vontade. A gente se esquece, na verdade, de que nós somos o mundo. De que são as nossas atitudes que o fazem girar.

Somos nós que o fazemos acontecer e, em reciprocidade, nos acontece interiormente a plenitude, o sentimento de que somos perfeitamente capazes. É que somos, mesmo. Somos capazes e responsáveis, mais uma vez. Somos quem pode. Quem pode fazer a diferença, quem pode mudar, quem pode proteger, quem pode oferecer. Somos a capacidade. E, assim, temos tudo o que nos falta para ser o mais simples, porém mais significativo: ser. Assim mesmo, em verbo, expressando uma ação que muda tudo.

Larissa Mariano


Texto escrito para a ONG Reviva (http://reviva.org.br) para a coluna Textos de Quinta

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